quinta-feira, 23 de março de 2017

Todavia, General, estas esperanças começam a esmorecer

Rio de Janeiro, 10 de maio de 2015
Exmo. Sr. Gen. Ex EDUARDO DIAS DA COSTA VILLAS BÔAS
COMANDANTE DO EXÉRCITO BRASILEIRO
                Sr. General
                Preliminarmente, solicito a V. Exa que aceite minha apresentação: Cel Int Ref WALCYR MONTEIRO DA MOTTA (AMAN Tu69), vinculado ao Cmdo 1ª RM.
                Encheu-nos de esperança a nomeação de V. Exa para o comando da Força; afinal, seu antecessor era homem de apenas duas expressões: “sim senhora” e “permissão para me retirar”. Subserviência total. Esqueceu-se de uma das máximas do General Manuel Luís Osório, o patrono da Cavalaria: “o soldado é obediente mas não é servil”.
Todavia, General, estas esperanças começam a esmorecer. O 31 de março passou e V. Exa. nada disse. Ordens de cima? Medalhas continuam a reluzir no peito de marginais condenados a prisão pela Justiça, com sentença transitada em julgado, e providências visando sua cassação não são tomadas, mesmo amparadas e, até, determinadas pela legislação em vigor; sua ordem do dia no Dia do Exército foi, usando nosso jargão castrense, uma ordem do dia M1. Esperávamos, General, algo mais, uma observação, um recado velado, uma insinuação de que o Exército, o Exército Brasileiro, o Exército de Caxias não aguenta mais ser enxovalhado, achincalhado, vilipendiado, recebendo missões de  polícia, sofrendo um revanchismo injustificável, um revanchismo torpe, por aqueles que não se conformam terem sido derrotados na luta armada,  tratado pior que os  triários, a última linha das legiões romanas depois das quais a História nada mais fala.  Esperávamos, General, algo como a circular do Gen Castello Branco em 1964. E note-se que, quando a escreveu, o General Castello era oficial general da ativa, Chefe do Estado-maior do Exército. Recordemos alguns trechos: “Os meios militares nacionais e permanentes não são propriamente para defender programas de Governo, muito menos a sua propaganda, mas para garantir os poderes constitucionais, o seu funcionamento e a aplicação da lei... Não sendo milícia, as Forças Armadas não são armas para empreendimentos antidemocráticos. Destinam-se a garantir os poderes constitucionais e a sua existência”.
Embora, à época, V. Exa provavelmente cursasse o ginasial (eu era aluno do 2° ano colegial do CMRJ) aposto ter tomado conhecimento deste texto. O General Paulo Chagas, em seu artigo “O ’Exército de Sempre’ e o Caminho do Dever, publicado no site “Ternuma” (www.ternuma.com.br/index.php/art/2499-o-exercito-de-sempre -e-o-caminho-do-dever-gen-bda-paulo-chagas) tece comentários sobre o silêncio das Forças Armadas. Um trecho merece transcrição:“infelizmente entendo que, se as Forças Armadas continuarem silenciosas em relação aos atos e fatos que interferem em sua missão constitucional, ocorridos interna ou externa mente, mantendo-se, por inação, coniventes com os projetos de poder do governo da ocasião, elas verão surgir, rapidamente, a cizânia e a quebra de coesão entre seus quadros e se transformarão (...) em milícias manipuladas pelo interesse corrupto dos políticos, mal equipadas, despreparadas e, principalmente, mais preocupadas em sobreviver do que em servir! Considero que a omissão é a mais destrutiva das atitudes de um soldado, e que será tanto mais destrutiva quanto mais alto seja seu posto ou graduação.”
Durante a luta armada (da qual não participei – as unidades em que servi não foram engajadas naquele combate) companheiros nossos receberam missão de exterminá-la. Cumpriram a missão! De armas nas mãos, com risco da própria vida e, pior, com risco de suas mulheres e filhos que ficavam expostos à sanha dos terroristas. General, o que o nosso Exército faz, hoje, por estes homens? Nada, General! São xingados, chamados de assassinos, torturadores, denunciados por comissões da verdade totalmente espúrias e revanchistas. Sofrem processos judiciais absurdos. Tem que custear advogados para a sua defesa com seus próprios recursos; ainda bem que o nosso excelente nível remuneratório permite que tais despesas sejam suportadas. O que fizeram para merecer tal tratamento? Cumpriram a missão! Os terroristas, como já disse, não se conformam de terem sido derrotados e, mesmo anistiados, fazem de tudo para infernizar a vida daqueles que os derrotaram e, pior, com o beneplácito, a conivência, a cumplicidade, o incentivo do governo constituído que, mutatis mutandis”, é terrorista. E, tal qual o poema de Maiakowski, não dizemos nada! E não fazemos nada!
Preocupa-nos ainda, General, o atual estado de penúria da Força. Circula na Internet boatos de que o combustível do Exército esgotar-se-ia em julho; que a munição estocada seria suficiente para uma hora de combate; que seria adotado o regime de meio expediente nos quartéis em virtude de restrições de rancho. Consta que no PDC (Palácio Duque de Caxias), no Rio de Janeiro, torneiras teriam sido retiradas dos banheiros para economizar água e que não se estaria ligando os aparelhos de ar condicionado para economizar energia. A maior preocupação, General, consiste em, num quadro desses, como barrar forças e situações adversas caso venham a ocorrer (e, com certeza, ocorrerão).
Vivemos dias preocupantes e sombrios. A tentativa de tomada do poder (tal qual em 1964 eles já têm o governo) desta vez, não será, numa primeira etapa, pela força. Basta ler Gramsci. O Gen Coutinho, Sérgio Augusto de Avellar Coutinho, recentemente falecido, brindou-nos com “A Revolução Gramscista no Ocidente”, onde, num fantástico poder de síntese, conseguiu resumir os não sei quantos volumes dos “Cadernos do Cárcere”, de Antonio Gramsci, em um pequeno livro de 135 páginas. Lê-lo (acredito que V. Exa já o tenha feito), fazendo um paralelo do que ali está escrito com o que acontece atualmente no Brasil, é mergulhar fundo na situação do Brasil de hoje, é muito mais que uma radiografia do momento nacional, é uma verdadeira ressonância magnética deste momento. Iniciamos a “fase estatal”, a transição para o socialismo. E o que fazemos? Nada!
E o decálogo? V. Exa. se lembra do decálogo? Decálogo para tomada do poder pela via pacífica? Tomei conhecimento do decálogo quando cadete, quando na AMAN estudávamos Guerra Revolucionária. Acredito que V. Exa também o tenha feito embora não sejamos contemporâneos na Academia. Recordemos:
- controlar politicamente o Judiciário;
- desmoralizar o Congresso Nacional;
- amordaçar o Ministério Público;
- arrochar a coleta de impostos;
- valer-se de dossiês para impor a vontade a banqueiros, empresários e adversários políticos;
- direcionar a produção artística e cultural e controlar a imprensa (e, hoje, a INTERNET)
- instalar núcleos de ativistas em todos os órgãos da administração pública;
- promover a instabilidade no campo;
- desmoralizar e desmantelar as Forças Armadas, inclusive com a criação de forças paralelas e
- desarmar a população.
    
Como V. Exa pode notar, o que acontece hoje, no Brasil, não é mera coincidência; é um processo pensado, planejado, com execução acompanhada em seus mínimos detalhes. Ademais, o que vemos no nosso dia a dia? Vemos uma incitação à luta de classes, quando se joga brancos contra pretos, patrões contra empregados, ricos contra pobres. Vemos uma total degradação moral com a televisão mostrando comportamentos sexuais esdrúxulos, principalmente se levarmos em consideração a hora em que são apresentados, quando as crianças ainda estão acordadas, tudo de acordo com a doutrina marxista-leninista; vemos um ex-presidente da república (sem erro de ortografia, com minúsculas mesmo) conclamar milícias ilegais e assassinas para uma guerra civil, vemos o líder dessas milícias, nada mais que um bandido, solicitar apoio a governos estrangeiros, parceiros no Foro de São Paulo, para combater nessa guerra civil; vemos organizações narcoterroristas estrangeiras treinando e instruindo gente dos chamados movimentos sociais para o combate. E que faz o nosso Exército, o que fazem as nossas Forças Arma das para neutralizar este quadro? Nada!
E que vemos mais, General? Vemos um quadro de corrupção institucionalizada. O mensalão foi um escândalo. Resultou na cúpula do partido do governo condenada a prisão, com sentença transitada em julgado, ou seja, sem mais possibilidade de recurso. O mensalão, porém, comparado ao PTrolão, deveria ser julgado num Juizado Especial de Pequenas Causas. Imagine V. Exa quando abrirem a caixa preta do BNDES. Por muito menos, Getúlio suicidou-se. Por uma Fiat Elba Collor renunciou para não sofrer impechment. O povo, General, já percebeu e já disse “não” a esta situação com marchas que lotaram as principais cidades brasileiras. A presidente está acuada. Não aparece em público, se o fizer, sabe que receberá uma uníssona, estrondosa e retumbante vaia. A Nação, bem como o Estado, estão a deriva.
Constituímos, nós, Exército Brasileiro, nós Forças Armadas, a “Grande Barreira”, a ultima ratio regis”. O povo brasileiro confia em nós e nós, ainda, confiamos em nossos comandantes. Não nos decepcionem.
Antes de encerrar, General, um fato novo. Leio no blog Alerta Total carta de uma mãe de aluna do CMRJ. Narra aquela senhora que, os livros de História e Geografia adotados no Colégio, antes escritos por historiadores militares e publicados pela BibliEx estão sendo substituídos, por pressão do governo, por outros, de cunho marxista leninista. Isto é fato General? V. Exa tinha conhecimento disto? Estamos “jogando a toalha”? Estamos sucumbindo à sanha vermelha? Estamos permitindo que nossas crianças, nossos “curumins”, sejam “catequizados” por esta corja? Leia o artigo “Colégio Militar do RJ com orientação comunista?”, de Percival Puggina. Como já disse foi publicado no blog “Alerta Total”, neste domingo, 10/05/2015.
Finalmente, deixo a V. Exa uma expressão do Mal Deodoro da Fonseca que, mesmo sendo amigo do Imperador e apesar da crise de asma e dos 39° de febre, montou em seu cavalo baio para dar vivas à República: “o Exército é um leão que dorme e que pode acordar raivoso!”
Queira aceitar Gen Villas Bôas (e merecer) a nossa admiração, os nossos respeitos e a nossa continência.

SELVA!
BRASIL ACIMA DE TUDO!
                                                                                                                                            WALCYR M MOTTA

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