segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Um militar da reserva e seus momentos difíceis

 Um militar da reserva e seus momentos difíceis





Por Antônio Araújo de Medeiros

Hoje, vi no Hospital Militar a imagem do Sargento Feliciano sendo algemado por um soldado da Polícia Rodoviária. Talvez, baseado no flagrante delito (o sargento ao fazer um rapel na ponte Rio-Niterói, estaria cooperando para congestionar o trânsito naquela via, por estar chamando a atenção dos veículos que por ali passavam).

Interessante é que ele foi algemado por um Policial Rodoviário, e os vândalos das passeatas que quebram e saqueiam, nem sequer são presos. Eu já havia tomado conhecimento de um vídeo no qual o referido sargento faz um desabafo em razão dos seus vencimentos. Ele mostra a defasagem dos seus atuais vencimentos após uma vida militar de mais de dez anos em relação ao ganho de novos Policiais Militares do DF, recém incorporados.

Esse sargento, realmente, deveria levar o problema para o seu superior hierárquico, entretanto, faço a seguinte pergunta: SERÁ QUE TODA A ESCALA HIERÁRQUICA, NÃO SABE DISSO??? E O QUE FIZERAM ATÉ ENTÃO??? NADA!!!

General Paulo Chagas, como você já disse em um dos seus melhores artigos "o soldado tem que ter a certeza de que sua família está protegida por um mínimo de dignidade; é sua única exigência". Nessa situação eu faço uma nova pergunta e me incluo: nós das FFAA temos essa certeza??? O mínimo de dignidade, a única exigência, está sendo atendida???

Eu já publiquei, em uma ocasião passada, o meu Contracheque. Vou apenas repetir os valores (incluindo o "FABULOSO" aumento de março: hoje, recebi o CC referente ao ganho de agosto - R$ 11. 566,00 (considerando o meu único desconto de R$ 2.000,00 para a POUPEX, referente a um empréstimo para construir a minha atual residência a 15 anos atrás, deveria estar recebendo R$ 13.566,00 - eu sou o oficial mais antigo da minha Turma de AMAN, passei 49 anos, 2 meses e 1 dia no serviço ativo, tendo alcançado o mais alto posto da hierarquia militar (General de Exército).

Como me relacionar (outro artigo escrito por você) com o atual Comandante do MEU EXÉRCITO (ele foi meu subordinado), SE NÃO TENHO A MÍNIMA CONFIANÇA NELE?

Aceita a ESCRAVIDÃO dos médicos cubanos e, até mesmo, os aloja como presos, em regime de quartel por menagem, em Unidades Militares, sem dizer uma única palavra de repúdio!!! Não mais compareço a solenidade militar com ele presente.

Por essa e outras razões, declinei a minha ida ao almoço da reserva, na última quarta-feira (eu havia dito à minha mulher que voltaria a participar desses almoços). Eu pensei que, estando lá, mesmo em ambiente de confraternização, eu não aguentaria ficar calado e, isso, não seria bom.

Hoje, também, recebemos essa notícia da votação da Câmara. TUDO É VERGONHOSO!!! Além disso tudo, ainda, temos o problema da provável promoção do ex-segurança do Lula que carregava a bolsinha da Dilma. É DILMAIS!!!

Ainda bem que temos um Joaquim Barbosa para nos motivar a continuar peleando.


Antônio Araújo de Medeiros é General de Exército na reserva.

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