terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Continuam os factóides do PT para o rebanho

Afora distribuir um pouco do dinheiro farto da União, Lula governou para os ricos, e faturou como seus os resultados da bonança na economia mundial
“NUMA ÉPOCA em que as ideias e as razões importam muito menos que as imagens e os gestos”, observa o escritor Mario Vargas Llosa, em artigo publicado hoje no El País (Madri) e em O Estado de S.Paulo, ninguém deveria ficar surpreso com a renúncia de Bento XVI, o intelectual de alto nível que falhou na missão de comandar a Igreja Católica. Sem querer, ou por ser a sua uma constatação universal contemporânea, o peruano que recebeu o Premio Nobel de 2010 conceituou o que define a política brasileira no novo milênio. Exemplo claro disso foi a comemoração dos 12 anos de governo do PT, na semana passada, quando o partido confirmou a disposição de obter a reeleição de Dona Dilma, ainda escorado na imagem que deu certo em 2006 e 2010 – a inclusão social. E nada mais, pois não se pode admitir como idéias e razões válidas as vagas menções à necessidade da reforma política e ao abstruso “controle social da mídia”.

NÃO SE DISCUTE a validade da distribuição mensal de dinheiro aos brasileiros carentes através dos tais programas sociais, à frente o Bolsa Família. Porém, doar, simplesmente, recursos que abundam na União, em contraste com a debilidade das finanças estaduais e municipais (onde as pessoas vivem, de fato), é pouco para o desenvolvimento do país e para melhorar a qualidade de vida dos seus quase 200 milhões de habitantes. A rigor, prezados leitores, o quê, além do dinheiro distribuído, foi feito das idéias e razões que o partido defendia no passado, quando na oposição? Tivemos uma conclusão do que os eleitores pensam a respeito nas eleições municipais de 2010, em que os candidatos petistas fracassaram em quase todas as Capitais, com exceção de São Paulo, onde era expressiva a vontade do eleitor (e dos meios de comunicação) de trocar o prefeito Gilberto Kassab, que esqueceu a cidade para criar um novo partido para si, dito sem lado mas destinado a participar da partilha do poder federal, o que está acontecendo.

O QUE FOI FEITO no país, em mais de uma década de gestão do PT, em matéria de saúde, educação, segurança, transportes e infraestrutura? Ressalte-se que Lula, no consulado de oito anos, sempre teve a maioria no Congresso, logo, dispunha da faca, do queijo e até do prato necessários para promover com êxito reformas nestas áreas fundamentais, cuja ordenação é a razão da existência do Estado. Em matéria de qualificação da representação popular, então, foi um fracasso amazônico. Com a exceção citada, nada fez em favor da sociedade, mas obrou pelo seu partido, hoje aboletado na máquina pública, e pelas chamadas elites, com as quais governou, a começar pelos bancos, que ele próprio reconheceu que nunca foram tão bem tratados quanto nos seus dois mandatos. Esqueci a herança ética? Nem falar, o Mensalão sintetiza tudo. Ao cabo, a tal comemoração é novo exercício de imagens e gestos que os petistas estão acostumados a produzir, com base no entendimento de que os brasileiros são e serão um rebanho. Veremos em outubro de 2014 se estão certos.

Por Erico Valduga

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