quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O comentário de Gélio Fregapani: acordo militar com os Estados Unidos

Acordo militar com os Estados Unidos

Os EUA estão propondo um novo acordo militar ao Brasil, semelhante ao estabelecido após a II Guerra Mundial. Seria natural que os EUA e o Brasil, como duas das maiores nações das Américas compartilhassem de um acordo na área de segurança. Até mesmo, havendo alguma ameaça comum, de uma aliança defensiva e ofensiva. Isto já houve anteriormente, até certo ponto com bons resultados durante a Guerra Fria, porém antes de qualquer acordo convém verificar o que se pretende ganhar com isto e se o preço a pagar será compensador. Deve-se examinar os objetivos do parceiro, a necessidade dele em fazer esse acordo e o que ele estará disposto a “pagar” para o conseguir.
O acordo na II Guerra, o certamente não foi exatamente do nosso interesse. A Alemanha e a Itália não eram nossos inimigos e eram parceiros comerciais confiáveis. Na verdade fomos coagidos a auxiliar a política dos EUA. Justificou-se aceitá-lo porque não teríamos condições de garantir a nossa neutralidade. Sabíamos que sofreríamos uma invasão americana no Nordeste, cujas consequencias nem podemos avaliar.
Já durante a Guerra Fria o acordo era mais honesto, pois também nos sentíamos ameaçados, mas a medida que a ameaça começava a diminuir observávamos que a posição de Junior Partner só beneficiava a potência hegemônica. O que então julgávamos grande vantagem: o recebimento de material bélico americano, não só inibia o desenvolvimento da nossa tecnologia própria como nos mantinha atrelados a política deles. O acordo militar foi denunciado por Geisel devido às pressões contra o nosso Programa Nuclear, e orgulhosamente vimos que podíamos desenvolver material bélico por nossa conta. Desenvolvemos mísseis e carros de combate e por um período o que desenvolvemos chegou a ser o carro chefe das exportações. A nossa então vitoriosa indústria bélica foi destruída pela traição de Collor e seus sucess ores, a comando do Consenso de Washington
Hoje a situação mundial é algo diversa. Diante de uma certa debilitação financeira e militar, os EUA buscam parcerias que ajudem a manter a sua hegemonia. Parcerias contra que ameaça? Do avanço econômico chinês? Do terrorismo islâmico? – Ambas necessitam de estudo mais profundo, mas nenhuma delas parece mais urgente para nós do que a ameaça de desagregação da unidade nacional pelo incentivo às “nações étnicas”, provocado pelas ONGs dos Estados Unidos e de seus aliados. Portanto, a primeira condição para um possível acordo deveria ser a imediata retirada das ONGs deles e o levantamento das pressões contra o nosso desenvolvimento, especialmente na área nuclear. Entretanto, é difícil que isto possa acontecer, pois o nosso Brasil e ao EUA são, por obra da geografia, muito mais competidores do que complementares.
Mais lógico seria que aceitássemos uma parceria de países sul-americanos contra uma intromissão dos EUA. Isto o ex-presidente Lula já andou esboçando, mais por seu viés esquerdista do que pelo interesse da Pátria, com pífios resultados. Seria irrelevante o auxílio que vizinhos poderiam nos prestar, e em contrapartida nos atrelaria ás disputas deles com os EUA, normalmente de fundo ideológico, que não nos diz respeito.
Antes só do que mal acompanhado.

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