segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Editorialista da ZH revisita a História



Trecho de editorial da publicação em papel mais acreditada expressa uma opinião sem qualquer apoio em fatos, da espécie propaganda mistificadora



Registre-se, para que não passe em branco, a estranheza deste escriba com um trecho de editorial da Zero Hora publicado na terça-feira passada, dia 13 (a data é coincidência). Intitulado “golpe na impunidade”, refere-se à condenação de José Dirceu a 10 anos e 10 meses de prisão, por crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa. Nele, o editorialista escreve que a lei começa a valer para todos, “dos mais humildes aos mais poderosos”. Ou seja, “está sendo feita justiça”. Creio que concordamos todos com a opinião do jornal, ao menos a esmagadora maioria de gaúchos e brasileiros assustados com a impunidade dos criminosos de colarinho branco. Um trecho do editorial, no entanto, exige reparo, por constituir-se em verdade que não aconteceu: “O ex-ministro não está sendo condenado por sua história – com episódios de reconhecida relevância para a implantação da democracia no país. Está, isto sim, sendo punido por compactuar com uma trama que colocava em risco o próprio regime de liberdades que ajudou a consolidar”. Afinal, é implantar ou consolidar?

Por Erico Valduga

Demos de barato que o capitão do time de Lula tenha “compactuado” com a trama que resultou no maior escândalo de desvio de dinheiro público da história da República, mas de onde o editorialista tirou a afirmação de que o antigo terrorista, que pegou em armas para instalar no país um regime comunista, no molde de Cuba, onde se refugiou no período mais duro da ditadura militar, contribuiu com “episódios relevantes” para a democracia? O redator parece ter revisitado a História, e concluiu pela existência de comportamento que não encontra apoio em fatos, que são a matéria-prima do bom jornalismo. Deve, portanto, uma explicação aos leitores, em apoio à sua opinião, que passou a ser a do grupo RBS, do qual a ZH é portavoz. A explicação seria muito fácil, pois basta fornecer um exemplo, unzinho que o seja, de que o quadrilheiro e corrupto merece alguma consideração ante serviços prestados à nossa democracia. Ou o trecho estranho inscreve-se nos erros em bronze de que falou Mario Quintana.

Colmento:

Se ocorreu abertura foi graças ao Gen Figueiredo por razões pessoais.


"É para abrir mesmo. Quem quiser que não abra, eu prendo e arrebento."
Obs.: Confirmando a abertura política.



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