domingo, 1 de julho de 2012

Falar a verdade incomoda!




Pensei que só as ariranhas estavam soltando as tamancas por causa das criticas que venho fazendo sobre a ‘comissão da calúnia’. Este foi só um pretexto.

‘- Já que vamos enquadrar o capitão, esta é a oportunidade!’ E montaram o circo.

Enviaram um ofício em que era convocado a me apresentar à Divisão Jurídica do Comando da 1.ª Região Militar ‘com a finalidade de cumprir diligências necessárias para apuração de fatos...’. Os ‘fatos’ eu tomaria conhecimento ao me apresentar perante a ‘autoridade competente para as apurações’. Interessante que oficiais generais na reserva e reforma fazem criticas, muitas com mais eloqüência e propriedade, por terem mais embasamento dos assuntos, e não são incomodados. Meu site funciona como uma resenha de notícias. Os fatos vão acontecendo, quando eu sinto algum interesse, neste momento escrevo um artigo e faço uma seleção dos textos que melhor abordam o tema. Não crio nada, apenas transcrevo fatos do conhecimento público. Minha verve, muitas vezes está muito aquém de textos, que às vezes deixo de transcrever, principalmente quando comprometem a honra das Forças Armadas. Criticar um chefe militar que falta com o zelo com a instituição militar, é bem diferente!

Adentrei exatamente às 10 hs no Palácio Duque de Caxias, centro, Rio de Janeiro. Alguns minutos mais e estava no 3.º andar, diante das autoridades competentes. No caso, o presidente do Inquérito Policial Militar, major Luiz Felipe de Oliveira Martins Pereira. Não gostei desse ‘Martins’. ‘Será que o homem tem parentesco com o Comandante do Exército, Enzo Martins Peri?’ Fiquei preocupado. Uma jovem milica, 3.ª sargento, escrivã, e duas testemunhas: um capitão e um major. O presidente do IPM foi direto ao assunto:

- Como o senhor quebrou o sigilo do inquérito, noticiando-o em seu site, irá depor, não mais como testemunha, e, sim, como indiciado.

‘- Putz grill!’, pensei comigo. Quis saber qual a diferença entre ser testemunha e ser indiciado. O major educadamente explicou que como ‘testemunha’ poderia falar só a verdade. Como indiciado, poderia ser menos verdadeiro.

Expliquei que ia falar a verdade e que não tinha nada a esconder, pois tudo que escrevia assinava em baixo, muitos textos com o ‘RG’, para não ficar dúvidas no ar.

Diante de um computador o presidente do inquérito foi lendo as questões e perguntando se admitia como sendo de minha autoria e se era o que pensava. Concordei plenamente.

Na minuta do documento que estava no computador, eu era tratado como oficial da reserva. Esclareci que estava na reforma. ‘Passei dos 70 anos!’

Ser velhinho tem-se prioridade nas filas dos bancos, e em assentos em coletivos, menos no trato com os agentes financeiros, principalmente o Banco do Brasil, que por determinação do Comando do Exército não faz e nem renova empréstimos consignados para maiores de 69 anos e 11 meses, salvo se os bancos assumirem o seguro bancário. E como as seguradoras não fazem seguros para os vovôs com essa idade, é morrer na porta dos bancos sem obter financiamento. A Marinha e a Força Aérea não criminalizam os velhinhos!

Descobri mais uma tramóia do governo quando fala em queda de juros bancários. Na quinta-feira, dia 28/06, indo à Agência Madureira-Centro do Banco do Brasil, o gerente explicou que não podia fazer uma redução dos juros no empréstimo consignado, muito menos no ‘CDC Salário’, e em adiantamentos de décimos terceiros salários. ‘Tudo é uma questão de troca’, explicou. ‘O governo diz que baixou os juros para incentivar o consumo! Sem novo empréstimo, não se tem juros mais baixos! E um novo empréstimo com juros mais baixos, que poderia liquidar os empréstimos anteriores, o Exército não facilita!’ Moral da história: Pertencer ao Exército comandado pelo atual comandante, general-de-exército Enzo Martins Peri, - um colaboracionista (entreguista, no linguajar popular), - é uma furada. Ele precisa ler um pouco de história. Todos os colaboradores, depois que os alemãs foram expulsos da França, foram caçados e fuzilados como traidores da pátria. A batata dele está assando! Vejam a maldade que o FUSEX (Fundo de Saúde do Exército) está fazendo com os dependentes dos militares. Exclui os pais como dependentes dos militares. Pessoas idosas, muitas com mais de setenta anos, por lhes serem negado atendimento médico-hospitalar, através de expedientes burocráticos, tem deixado os militares desesperados. Crueldade não existe maior!

No desenrolar das perguntas percebi que as questões que enfureceram uma periguete da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, era só o aperitivo do interrogatório. O presidente do inquérito tinha lido todos os meus textos que falam das autoridades militares, com poucos elogios, diga-se de passagem. Confirmei a autoria dos textos.

‘- Nada tinha a ocultar!’, frisei mais uma vez. E nem feria os postulados da lei ao criticar as autoridades, quer sejam militares ou civis. A Constituição Federal me faculta a livre manifestação do pensamento.

Observando a fisionomia dos presentes, notei que a escrivã estava mais alheia ao processo de inquisição, do que a vã sabedoria recomenda. ‘Não li os textos, e tenho raiva de quem leu!’, devia estar pensando. O major que testemunhava, pareceu-me sério demais. Não devia estar apreciando as minhas colocações. O capitão demonstrava solidariedade, com o olhar de aprovo. ‘Nada mal!’, comemorei. O presidente do inquérito pareceu-me ser um oficial sério. Só fiquei com pena dele, por perceber que passara noites em claro acessando o meu site. ‘Ser masoquista, assim, só no Japão!’, imaginei. Competência pura, porque desencavou textos que nem mais me lembrava de tê-los escrito.

Ficou clara a minha posição: Se o Ministério Público Militar aceitar a acusação, abrirá um processo contra mim. Neste caso terei de contratar um advogado.

- Negativo. Não preciso de advogado para defender o meu Exército. Eu mesmo o farei.

Assinamos as quatro folhas do inquérito e o trabalho foi dado por encerrado.

Rio de Janeiro, 29 de junho de 2012.

José Geraldo Pimentel


Cap Ref EB

http://www.jgpimentel.com.br/ --



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